terça-feira, 20 de setembro de 2016

Ao pó






















Deixarás que o pó venha tomar posse de todas as coisas da casa. As aranhas estenderão a teia entre uma e outra letra, preenchendo o espaço vazio das palavras com a seda delicada das suas rendas. Talvez ainda aqui venha morrer algum insecto, alguma ideia vaga e confusa, uma réstia resistente de luz - mas a casa estará vazia e obscura, em silêncio. Não ambicionarás. Não ousarás. Não terás ilusões. Não criarás acima das tuas possibilidades. Pó apenas, descansa em paz.